JOÃO EUFRÁSIO DE FIGUEREDO - DADOS BIOGRÁFICOS – Parte IV - Distrito de Ribeirão Pequeno

publicado em:20/03/18 1:49 PM por: Jurandir Figueiredo Histórias e FatosGente da Terra

Quarta-Feira, 04 de Abril de 2007

IMARUÍ NOVAMENTE
Sem alternativa, retornou com a família para a Ponta dos Martins disposto a tocar o engenho ainda uma vez, reassumindo toda a atividade relacionada à fabricação de farinha e açúcar. Os moinhos agora funcionavam à terça, ou seja, o produtor plantava a mandioca ou cana. Colhia seu produto, levava ao moinho que depois de beneficiado, recolhia apenas setenta por cento, enquanto trinta por cento ficava como pagamento pelo uso do engenho.

Mas esse serviço do moinho era deficitário já que a produção de mandioca e cana era escassa na região, assim como a própria mão de obra praticamente inexistente. E com a família aumentado, aí já nascera o Francisco (Franck), em 1939 e o Thiago, em 1941, e, portanto, fazia-se necessária uma renda mais forte e segura, para o sustento da casa.

Nesses momentos difíceis, João trabalhou muito para pessoas que, infelizmente, não tinham com o que pagar: foi barbeiro, professor, construtor de canoas, carros de bois e até casas; ainda fazia redes de pesca, nas escassas horas que sobravam. Mesmo sem obter retorno financeiro dessas atividades, ele encontrava ainda algum prazer em alfabetizar as pessoas. Hoje ainda, existem lá pessoas que aprenderam a ler graças aos ensinamentos de João. Mas não se imagine que eram utilizados lápis e caderno: uma laje de pedra era utilizada como quadro negro, enquanto um lápis de carpinteiro era dividido em quatro partes e distribuídas por ele aos alunos, enquanto o papel de embrulho que envolvia mercadorias, era utilizado como caderno.

Como as coisas realmente não iam bem, João pegou seus dois filhos mais velhos, Nelson e Nereu e com eles foi começar uma roçada para plantação de amendoim. Estabeleceu primeiramente os limites da roça, e, junto a uma figueira, cuja copa estava tomada por um cipoal, ergueu a ferramenta e deu a primeira foiçada, depois mais uma e outra. De repente, ele foi atacado por um enxame de marimbondos enfurecidos que mantinha sua cachopa num baraço ali próximo. Vencido pela dor, face a grande quantidade de picadas, João saiu correndo com a foice na mão. Vendo-se livre dos agressores, disse um palavrão, o que não era comum em seu comportamento, atirou a foice sobre a copa da figueira e pronunciou uma frase que ficaria marcada na família, e de vez em quando lembrada: “Nesta terra (Imaruí), a única coisa que deu de bom foi a mãe de vocês”. E retornou para casa com os filhos.

João e Maria mantinham sua considerável prole com imensa dificuldade, – já eram sete os filhos -, mais a Otília. Sem qualquer perspectiva de emprego e em meio a uma pobreza generalizada, João mantinha a família com o peixe que pescava na lagoa e alguma fruta do pomar.

A desesperança parecia tomar conta de tudo e de todos, tornando praticamente impossível qualquer recomeço. Mas, homem de fé inabalável, viu surgir um fio de esperança em meio àquele caos: correu a notícia de que estavam recrutando carpinteiros para construir a Caixa de Carvão, em Imbituba, distante uns doze quilômetros dali. Exigia-se experiência. Assim João, que fizera de tudo um pouco na vida, candidatou-se ao emprego. Combinou com a família que, se tudo desse certo, arranjaria uma casa e retornaria para buscá-los. E foi assim que, nos primeiros dias de janeiro de 1941, pegou carona em uma canoa até o Porto da Vila. Daí seguiu a pé por cerca de seis quilômetros até os escritórios da Companhia Docas de Imbituba. Após entrevista, foi admitido por contrato temporário.

Enviado por: Seu Filho Geraldo Figueredo



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