Histórico da comunidade de Ribeirão Pequeno - Distrito de Ribeirão Pequeno

publicado em:20/03/18 7:03 PM por: Jurandir Figueiredo Histórias e FatosNatureza

Histórico da comunidade de Ribeirão Pequeno, extraída da dissertação de mestrada de MARILDA ALEXANDRE REBELO

Sábado, 16 de Junho de 2007 |

Clima e Ribeirão pequeno.
O clima da região de Laguna, segundo a classificação Köppen (1948) enquadra-se no tipo Cfa (subtropical mesotérmico úmido e sem estação seca). Devido à proximidade com o mar, não ocorrem geadas, tornando as temperaturas sempre positivas.

Histórico da comunidade de Ribeirão Pequeno 1

A precipitação média anual é de 1.511,1 mm, sendo que os maiores índices pluviométricos são registrados no mês de janeiro (191,5 mm) e os menores no mês de julho (82 mm). As temperaturas médias anuais giram em torno de 24,6 oC (fevereiro) a 16,4 oC (julho), ocorrendo extremas de 36,8 oC (Janeiro) e 0,0 oC (julho). Ocorrem ao longo de todo o ano ventos freqüentes de direção nordeste, com maior intensidade nos meses de agosto a novembro (EPAGRI; CIRAM, 2001).

SOLOS
Na localidade de Ribeirão Pequeno predomina a associação Cambissolo Álico + Podzólico Vermelho Álico, ocorrendo ainda, inclusões do tipo Solos Litólicos, de fase rochosa com substrato granítico. São solos suscetíveis à erosão, apresentam boa drenagem e fluxo hídrico intenso, localizando-se em relevos de fortemente ondulados a íngremes, apresentando limitações para o uso agrícola (EPAGRI; CIRAM, 2001).

Hidrografia
A hidrografia da região é caracterizada pela presença de rios encachoeirados e de planície, os quais desembocam diretamente no mar ou em lagoas que têm contato com o mar (laguna) (AMUREL, 1976). A localidade de Ribeirão Pequeno é drenada pelo rio Três Cachoeiras, tributário do rio Sambaqui, os quais pertencem à Bacia Hidrográfica do rio Tubarão. O rio Três Cachoeiras nasce nas encostas do Morro dos Mendes em cotas médias de 200 m de altitude e percorre a extensão de aproximadamente 3 km até ligar-se ao rio Sambaqui na cota de 3 m (BRASIL 1976).

VEGETAÇÃO
Na região de Laguna predominam as Formações Florestais Pioneiras, Matas de Restinga, Vegetação de Banhados, Marismas e Manguezais. Ocorrem ainda, a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas e a Floresta Ombrófila Densa Submontana (VELOSO; GOEZ-FILHO 1982; TEIXEIRA et al., 1986).

A Floresta Ombrófila Densa Submontana ocorre em altitudes que variam entre 30 a 400 metros, com temperaturas amenas, pluviosidade intensa e bem distribuída e solos bem drenados. Esta floresta apresenta composição florística semelhante em diferentes locais, apesar da variação de altitude. Este fato ocorre devido à particularidade das interações entre os fatores bióticos e abióticos (VELOSO; KLEIN, 1957).

Normalmente os solos encontrados na formação vegetal Submontana são profundos propiciando o desenvolvimento de comunidades vegetais com espécies arbóreas, cujas alturas variam entre 25 e 30 metros, com largas e densas copas que se tocam formando o dossel (TEIXEIRA et al., 1986).

De modo geral esta floresta caracteriza-se pela presença de espécies arbóreas latifoliadas, dentre as quais, destacam-se: Ocotea catharinensis (canela-preta), Sloanea guianensis (laranjeira-do-mato), Aspidosperma parvifolium (peroba-vermelha), Talauma ovata (baguaçu), Schizolobium parahyba (guarapuvu). O estrato das arvoretas é bastante homogêneo e caracterizado por espécies tais como: Actinostemon concolor (laranjeira-do-mato), Pera glabrata (seca-ligeiro), Sorocea bonplandii (carapicica) e Euterpe edulis (palmito), que muito contribuem para o aspecto fisionômico desta floresta (TEIXEIRA et al., 1986).

Atualmente a maior parte dos remanescentes florestais localizados no município de Laguna encontra-se em estádios iniciais de sucessão, conforme definem as resoluções CONAMA 010/93 e 004/94 (BRASIL, 1993; 1994). Segundo estas resoluções, nos estádios iniciais de sucessão, a cobertura vegetal apresenta-se, geralmente constituída por espécies de porte baixo, pertencentes aos estratos herbáceo/arbustivo e, por lianas. Caracterizam-se ainda, pela ausência de sub-bosque, presença de muitas espécies pioneiras e o solo apresenta uma fina camada de serrapilheira. Nos fundos de vales, encostas íngremes e especificamente na localidade de Ribeirão Pequeno, observam-se ainda a presença de fragmentos florestais com vegetação em diferentes estádios de sucessão secundária, resultado do difícil acesso, impossibilidade de uso de implementos agrícolas mecanizados e do corte seletivo de essências florestais madeiráveis e não madeiráveis.

3.2 Localização de Ribeirão Pequeno
localiza-se no município de Laguna (28o 22’ S e 48o 44’ W), junto à localidade de Ribeirão Pequeno (28o 29’ 00’’ S e 48o 53’ 07’’ W) (figura 01), na qual, esta inserida na microbacia do rio Três Cachoeiras, que é tributário do rio Sambaqui, o qual integra a bacia hidrográfica do rio Tubarão Os solos apresentam-se suscetíveis à erosão com boa drenagem e fluxo hídrico intenso localizando-se em relevos de fortemente ondulados a íngremes, apresentando limitações para o uso agrícola (EPAGRI; CIRAM, 2001).

Apesar das condições topográficas desfavoráveis esta comunidade, atualmente composta aproximadamente 420 habitantes (EPAGRI, não publicado) estabeleceu-se às margens do rio, tendo como base econômica a agricultura de subsistência com o cultivo de cana-de-açúcar, para a produção artesanal de cachaça, plantação de mandioca para a produção de farinha, cultivo de bananas, cafeeiros e pastagens para a criação de gado. Além destas, é desenvolvida ainda a pesca artesanal.

As atividades agrícolas desenvolveram-se por meio de uso e ocupação do solo de forma desordenada, principalmente nas margens do rio, encostas íngremes, entorno de nascentes e topos de morros, sem um planejamento adequado com substituição da cobertura vegetal original em sua maior parte por pastagens e culturas cíclicas, predominando a inserção de espécies de gramíneas do gênero Brachiaria spp., como alternativa, para o aumento da produtividade da pastagem para o gado.

Desta forma a vegetação ciliar localizada nas margens do rio, no entorno das nascentes e topos de morros, aos pouco foi sendo alterada, modificada e fragmentada, trazendo como conseqüência imediata, a diminuição no volume de água no rio, contribuindo para a escassez, principalmente em longos períodos de estiagem. A microbacia do rio Três Cachoeiras apresenta fisionomia vegetal caracterizada pelas formações vegetais Pioneiras de Influência Flúvio Marinha e Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, junto à desembocadura do rio Sambaqui e; pela Floresta Ombrófila Densa Submontana junto às encostas, em altitudes superiores a 30 metros.

Estes dados foram extraídos da dissertação de mestrado de Marilda Alexandre Rebelo, com orientação do Professor Jairro Jose Zocche, pela UNESC, Cricíuma Sc., 2005.

Enviado por: Marilda Alexandre Rebelo

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A última modificação foi feita em:março 8th, 2019 as 1:57 PM


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