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Engenho de Farinha de Mandioca

Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2006 | 1 comentário

Os engenhos de nossa região, do tipo, chimarrita ou pouca pressa como eram conhecidos no litoral. Movido por tração animal, sendo utilizado a força de um boi, cangado e antrolhado a almanjarra adaptada ao eixo do peão da roda bolandeira a roda grande do engenho que movimenta a roda da cevadeira com farpas de chapa de metal, lata, cobre ou cerrinhas. A fabricação de farinha de mandioca era um ritual totalmente artesanal, com muito trabalho e imensa força, mas que tinha no processo o envolvimento comunitário.

A Farinhada

O inverno é a época de farinhada, toda família auxiliada pelos vizinhos, amigos começam a lida da farinhada. Era costume nesta época as famílias se mudarem para o engenho, se adaptava a grande casa para além da produção de farinha virar casa de moradia, as camas eram improvisadas “As Tarimbas” o grande companheiro o rádio para ouvir as músicas caipiras, isso já nos anos 70. Pela manhã era comum as neblinas dos meses de maio, junho, julho... Tempo de laranja madura, coleirinho, sabiá, tiés, as cantigas dos passarinhos são inesquecíveis... Mandioca plantada na roça a mais de um ano era hora de colher. Instaladas no engenho, começa o processo, cangar os bois no carro e ir para a roça arrancar e trazer as carradas de mandioca. Começa-se a raspar a carrada, após raspada era lavada e levada ao cevador, hora de cangar e antrolhar o boi, após cevada (ralada) vai para a prensa, dentro dos tipitis, a prensa é composta por mesa de madeira fusos, fichas e concha... A massa fica na prensa até o ponto de fornear, onde a massa é desmanchada no cocho e peneirada, indo para o forno, uma construção de tijolos e pedras com um tacho de cobre com engrenagens de madeira correias, tocada por um forneador, que normalmente inicia o trabalho bem cedo na madrugada. Também é na forneação que se faz o beiju, cuscuz, pamonha, biagica...


Com a inovação permitida pela eletricidade, os métodos de trabalho no engenho permanecem praticamente intocados apenas o processo de cevar a mandioca pelo processo elétrico. Carros de boi para o transporte da mandioca, a raspagem ainda era um trabalho comunitário, quem raspa tem direito a fazer beiju e ganhar massa.
É cada vez menor u número de engenhos, a um desinteresse os filhos não continuam o ofício, o preço e a concorrência das farinhas industrializadas contribuem para a queda da produção pelos engenhos.
A farinha de madioca é um alimento rico em carboidratos e fibras além de ser um dos principais produtos da agricultura familiar em todo o Brasil.
A tecnologia de fabricação da farinha é simples, mais exige cuidados na seleção da matéria-prima e boas práticas no processo e fabricação.
O rendimento médio de farinha é de até 30% do total de raízes processadas. A farinha deve ser armazenada em local seco, ventilado e protegido de insetos e roedores.
A forma mais comum de consumo da farinha de mandioca é o pirão. Feito de água quente ( nalho ou escaldado) ou água morna, também o pirão pode ser feito com os caldos de feijão, de peixe, de carne, de cozido e tudo que é caldo...


VOCÁBULARIO PRÓPRIO
Ao visitar um engenho tem-se contato com palavras pouco conhecidas: sevador, prensa, fuso antrolhos tipiti, cangalha, quarta, paiol, almanjarram cangam rodete, hélice, etc. Além da farinha de mandioca, tembém chamada de farinha de guerra.
Conheceça algumas delas e os seus significados:
Almanjarra - Madeira curva que liga o Peão da Roda a Cangalha ;
Andame - Caminho por onde o boi passa no trabalho do engenho em geral é forrado com capim melado;
Antrolhos – Venda colocada nos olhos do boi para que ele rode no Andame;
Canga – Suporte de madeira com dois rebaixos que complementada com o canzil para juntar os bois no carro;
Cangalha – Canga colocada no Almanjarra para que o boi trabalhe no Andame;
Canzil – Cada um dos dois paus da canga, entre os quais o boi mete o pescoço;
Fuso – Parafuso de madeira que ira fazer pressão na Prensa;
Helice – É a pá do forno que tem duas pontas e um rodete embutido para mexer a farinha no forno de torração;
Paiol – Local destinado a estocar a farinha depois de pronta, para o consumo e ou para a venda;
Peão de Roda – é o mastro que segura q roda bolandeira;
Prensa – Local onde se coloca os tipitins para retirar a água da massa da madioca;
Roda Bolandeira – É a roda grande do engenho;
Rodete – É a engrenagem de madeira em forma de dente com finalidade de tocar o engenho;
Sevador – É a pessoa encarregada de Sevar (ralar) a mandioca;
Tipiti – Cesto feito de taquaras usado para colocar a massa da mandioca na prensa;
Quarta – É uma medida volume é ¹/4 do alquer. Um saco de farinha tem 2 alqueres.
¹/4 Alquer = 1 quarta = 10 litros = 05.50 kg;
¹/2 Alquer = 2 quarta = 20 litros = 11,00 kg
1 Alquer = 4 quarta = 40 litros = 22,00 kg
2 Alquer = 8 quarta = 80 litros = 44,00 kg

Em breve divulgaremos fotos dos Engenhos do Ribeirão !

Enviado por: Jurandir S Figueiredo


Comentários

Permalink #1 #1 - erica souza pego 29/08/2008
otimo

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